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Quando a chama da paixão se apaga

casal

Ontem estava vendo aquele filme Pieces of Woman, um drama daqueles pesados de doer, em que você sofre junto com os personagens. Sem spoiler, é a história de um casal apaixonado e cheio de expectativas, até que uma tragédia afete o relacionamento. No caso, a perda da primeira filha logo após o parto. O acontecimento leva a um trauma grave no psicológico e emocional de todos os envolvidos, especialmente pela “fatalidade” movida por erros humanos e negligência dos próprios envolvidos. A sequencia dos acontecimentos traz discórdia familiar e traição em ritmo de cascata. É natural e até compreensível que o tal fogo da paixão se abale diante de uma situação terrível destas.

Vamos definir a paixão como um sentimento motivado pelo estímulo sexual e também fundamentado pelo imaginário. Nós não nos apaixonamos pela pura e franca realidade, pois no momento da paixonite nem a conhecemos. Oque nos acende verdadeiramente o coração e coloca borboletas no estômago é uma imagem mental que construímos e neste cenário instintivo que criamos em nossa mente, o mundo é um verdadeiro paraíso, não conseguimos se quer prever os sofrimentos e sacrifícios envolvidos. É assim que nascem as histórias de amor mais profundas, como aqueles romances ardentes entre uma condessa e um operário, um príncipe e uma serviçal doméstica ou a mocinha ingênua que anda de metrô com um milionário do mercado financeiro, tal como vemos na indústria do entretenimento. Pois bem, o fato é que não somos de nenhuma família real e se você está aqui lendo este texto posso presumir que és uma pessoa que vive todas as dificuldades de um relacionamento na vida média contemporânea.

Como disse o poeta britânico do século XIX, Robert Louis Stevenson, “Um dia, cedo ou tarde, você vai ser convidado a sentar-se para um banquete de consequências”. Esta é a dura realidade de quem um dia se entregou a uma paixão irrefreável. Veja bem, ou você pensa nas consequências antes, ou depois de tomar ação. O certo é que elas vêm. Esta é a hora, mais do que nunca de negar os sentimentos e instintos hedonistas que buscam o puro prazer e conforto e agir com a mais pura razão e força interior de suas convicções. O fato é que a força da paixão que se tinha antes, disposta a enfrentar qualquer luta para viver aquela paixão se esgotou e virou uma peça de teatro com roteiro sem sentido, sem clímax, apenas rotinas do dia a dia, divisão de problemas e acusações de culpa.

Vamos fazer aqui um exercício mental: Imaginar, como seria a sequência da relação entre os apaixonados do filme Titanic, Jack e Rose caso o navio chegasse com sucesso à Nova Iorque?

Sendo Rose uma integrante da aristocracia e Jack um trabalhador simples, incontáveis consequências ligadas a incompatibilidades sociais viriam à tona. Poderia ter sido apenas uma curtição casual, ou eles de fato tomariam a missão de tentar nivelar-se para viver aquele relacionamento até o fim de suas vidas? O fato é que é muito fácil observar uma relação só pelo ponto de vista da paixão, afinal, é uma força inspiradora que vem como uma avalanche da montanha encobrindo a realidade.

A realidade é que um casal precisa de algo maior do que a paixão para perdurar e prosperar como uma família feliz. Considere que um casal é composto por dois tijolos, a paixão, como uma massa os conectou, mas quando a paixão resseca, racha e se quebra, ficam os dois tijolos apenas colocados sobre uma superfície, prontos para serem derrubados sob qualquer impacto externo. Já parou pra pensar no que seria esta massa que lhe conecta a seu par em seu relacionamento?

Um relacionamento de longo prazo não se sustenta apenas aparado pela paixão. É preciso transformar um relacionamento em um projeto de vida feliz e seu par é na prática um sócio neste projeto e como em qualquer sociedade é preciso complementar forças e virtudes ao mesmo tempo trabalharem juntos contra os vícios que apenas trazem danos a vida daquela entidade que se torna um casal.

Agora, use as questões fundamentais aqui mencionadas e considere em sua vida se vocês estão agindo como sócios de um projeto:

Um relacionamento duradouro precisa ser sustentado por virtudes como paciência perante os estímulos internos e castidade aos estímulos externos.

Também são imprescindíveis valores como o sacrifício, o perdão e a fidelidade individual perante o livre arbítrio. Reflita a cada decisão – estou agindo pela virtude ou pelo vício?

Traga para seu relacionamento a sua força interior mais profunda e sincera. Vai doer, mas é assim que se vence os obstáculos da realidade.

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